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  • Mauricio Cruz

Vingança

Essa é a palavra. O termo certo a se usar. Sei que tem quem não acha que essa palavra te traz boas energias. Que é um sentimento ruim a se cultivar. É mesmo? Dane-se.


Tinha tanta certeza que passaríamos o carro sem dó no Real Madrid naquela final de Champions League, 3 anos atrás, que apostei com um amigo, fanático merengue, que atropelaríamos o Real Modinha por um suntuoso 3x0. Sei que muita gente não vai concordar comigo, mas o time vice campeão daquela Champions me enchia mais de orgulho do que o campeão no ano seguinte, e do que o campeão da Premier temporada passada. E, quem manja um pouco de bola, sabe que não é o mesmo time, apesar da base ser praticamente a mesma. A maneira de jogar, a intensidade absurda, o jeito kamikaze de ser. Tudo era mágico ali, e fazia os olhos de quem ama futebol brilhar. Eu, o primeiro dessa fila.


A vitória contra a Roma na semifinal, no Anfield, foi a melhor partida que eu vi do meu idolatrado Liverpool jogar, digamos, nos últimos 10 anos. Uma pisa homérica, onde Salah e Firmino ficaram marcados na história com dois gols e duas assistências, cada um, numa semifinal de Champions. Histórico. Dias atrás, já havíamos surrado o Manchester City de Guardiola no mesmo Anfield, em 45 minutos de puro Rock´n Roll. Recuando mais um pouco ainda no tempo, havíamos vencido o mesmo invicto (até ali) City no Anfield outra vez por 4x3. O jogo chegou a estar 4x1, com bola na trave e mais ameaços. O time de Guardiola virtual campeão inglês daquela temporada estava de joelhos e tomava um chocolate doce do time kamikaze. É, um Madrid decadente não teria a menor chance contra o GeGePressing.


A final contra os espanhóis começou com a gente, para variar, empurrando nosso adversário para as cordas. Arnold havia finalizado bem e quase marcado. Daí veio o lance fatídico que tirou de combate o melhor jogador do mundo na época. Sim, nem o nanico nem o robozão jogavam mais que o Rei Salah. Sergio Ramos parou o 11 vermelho na força e nem amarelo recebeu. Deveria sair dali preso, de camburão. O time se perdeu, sem seu astro-rei, mas voltou pro segundo tempo vivo e pronto para lutar até o fim. Mesmo com Karius entregando a paçoca duas vezes – para não dizer que ele também poderia ter feito melhor no golaço de bike de Bale – o Liverpool não se entregava. Pelo contrário, nos orgulhava.

Vingança! Fonte: Globo Esporte

Aquele time merecia ser campeão. Tanto quanto o de 2020 e 2019.


Quis o destino que o Real Madrid aparecesse na nossa frente outra vez na UCL atual. Agora nas quartas-de-final. Salah segue voando, mesmo contra todas previsões de “one-season-wonder”. É o artilheiro da Premier, onde jogamos mais remendados que calça de mendigo. Ramos sabe que o confronto deveria ser Real Modinha x Liverpool, mas será SR x Salah. O egípcio, por mais honrado e respeitador que seja, tem contas a acertar com o bandido espanhol. No íntimo dele, acredito piamente nisso. Além disso, a imprensa espanhola comemorou o sorteio. Não queriam Munique, City e PSG. “Deram sorte”. É mesmo? Tem medo deles e do Liverpool não tem? Bom saber...


Vencer o multicampeão espanhol não trará a orelhuda que perdemos em Kiev. Aquilo, infelizmente, é passado. Mas pode pôr uma pontinha de justiça nesse confronto. Uma pitada de bom senso aos Deuses do Futebol que permitiram Karius, Salah e Ramos serem protagonistas daquela história, numa tarde de sábado.


História que espero, tenha um final diferente. E feliz pro lado vermeho.


Mal posso esperar.


A vingança é um prato que se come frio. 3 anos são mais do que suficiente para esfriar.


#YNWA