Buscar
  • Mauricio Cruz

Uma fábrica de heróis e vilões


FOTO: Getty Images

Adoro futebol. Desde moleque. E escutava um repórter esportivo em uma rádio de São Paulo que dizia sempre que uma disputa de pênaltis era uma “Fábrica de heróis e vilões”.


De algum modo, essa denominação se encaixou na minha cabeça, se vinculando ao Liverpool. E não estou falando de disputas de penalidades máximas, mas da história do clube.


O que quero dizer é, porque temos tantos vilões? Heróis são normais na história da bola, e claro, na história dos clubes. Mas vilões? Owen, Coutinho, Torres. Vamos refletir um pouco e exercitar a memória. Que outro time teve tantos “traíras”?


Lembro de um clássico, Luis Figo, português que saiu do Barça e foi pro Madrid. Um só! Na extensa história dos gigantes espanhóis! Teve Ronaldo, mas nem de longe foi impactante. Bonucci ao sair da Juve e ir ao Milan? Naahh... Tanto que voltou depois e foi, relativamente, bem aceito... Na Europa é mais difícil? Tem uma história grande de judas aqui no Brasil? Lembro de Ricardinho, meia ex-seleção e hoje comentarista do Sportv. O jogador, altamente identificado com o clube, saiu do Corinthians e foi pro São Paulo. A torcida fiel enlouqueceu. Outro? Paulo Nunes, verde no Palmeiras, foi pro Timão. Romário jogou em quase todos os times no Rio de Janeiro, mas não sei se é considerado um traidor por uma das torcidas que ele defendeu. Talvez Bebeto, de tanto tempo no Fla indo pro Vasco depois. Mas me parecem ser situações pontuais.

FOTO: Getty Images

Com a gente é um mantra. Owen foi pro United (no ano seguinte, o Liverpool foi Campeão da UCL 2005). Torres pro Chelsea (dizendo que estava indo para um time grande!). É verdade, foi campeão da UCL com o time azul de Londres - fez até gol na semi contra o Barcelona - mas nunca mais jogou o que jogou com a nosso manto vermelho. E Judas, largou a gente de forma cretina para jogar no Barcelona e ser campeão. Tomou na tampa bonito, porque desde que saiu nosso time virou uma máquina de jogar bola, Campeão da UCL (duas finais seguidas), Campeão do Mundo contra o Fla (se tivesse no elenco, teria um gostinho especial para ele bater o eterno rival dos tempos de Vasco), virtual campeão inglês com trocentos pontos de diferença. O cara só largou o melhor time do mundo. “Ain, mas não dava para prever”. Só uma coisa: se ele tivesse saído no tempo do Borini e do Lambert, eu até entenderia...

FOTO: liverpoolfc.com

Talvez a paixão que envolve o Liverpool seja realmente over. Diferente de tudo. Acima de todos. Ou você ama, ou odeia o time vermelho da Terra dos Beatles. Por isso gera heróis e vilões em profusão. Por isso uma vitória especial causa tanto furor, tanta ebulição. E uma escorregada provoca tantas lágrimas e tanta tristeza.


Isso é Liverpool. Isso é paixão.


#YNWA