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  • Mauricio Cruz

Solidariedade ao brasileiro Firmino


FOTO: AFP

Hoje acordei bem cedo como de costume para ir para academia. Todo dia vou de Liverpool. Hoje escolhi uma com a 9 de Firmino nas costas. Em sinal de solidariedade.


Bobby Firmino está encrencado. Como jamais esteve desde sua chegada ao Poolzão, 5 anos atrás, nem no seu começo claudicante. O atacante brasileiro está mal, e já faz tempo. O lance de não marcar em Anfield que permeou toda a temporada passada já era um sinal. Os passadores de pano, como eu, enchiam o peito para falar que ele marcava gols decisivos fora de casa. Mas de fato, um centroavante de respeito, dentro de casa, tem que fazer xixi com a porta aberta. Tem que mandar e desmandar. E Firma, cansado, não estava nessa vibe mais.


Veio a Premier 20/21. E Firmino piorou. Aquelas roubadas de bola, característica tão pungente no futebol do alagoano, sumiram (vejam, não “diminuíram”, “desapareceram”). Aquela inteligência afinada, afiada, que com um tapa mete o companheiro na cara do gol, também rareou. E a fome de meter a bola na rede? Isso não existe mais. Eu, fã confesso, fiquei puto algumas vezes com o 9 vermelho de frente pro gol tentando passar a bola de lado.


Eu usei o termo “fome”? Pode ser isso. O brasileiro está de barriga cheia. Lutou muito para atingir um patamar que merecidamente alcançou. Mas os livros de autoajuda sempre gritaram que o mais difícil é se manter no topo, não chegar nele. O trabalho tem que continuar, na mesma (alta) frequência.


O que me leva a outra questão, também ligada a solidariedade que tenho com Bobby. Estaria ele cansado fisicamente? Todos sabemos que desde a chegada de Klopp, Firma é quem mais jogou sob a batuta do alemão pancada. Precisa descansar e encontrar o caminho de volta. Só minha solidariedade de ser benevolente e meter uma camisa 9 as 6h da manhã não vai ajudar a resolver o problema que o safadão tem nas mãos.

Jota vivo, Firmino morto! FOTO:Goal.com

O “problema” atende pelo nome de Diogo Jota. O que era para ser uma sombra para Firmino, engoliu o brasileiro. Jota mete gols de tudo que é jeito. Está iluminado. Tem qualidades mais agressivas e um faro de gol muito mais apurado. Mas o que encanta a todos nós em Diogo Jota é o tesão aparente que o português tem em jogar com o manto vermelho sagrado. Corre feito um louco, briga, marca, chuta no gol, arma. Parece até... um Firmino de anos atrás. O segundo gol dele contra a Atalanta encheu os olhos de quem ama futebol. Dominou uma bola longa de Gomez (bolão, "digassi de passagi"), já ajeitando para encher o pé e estufar a rede italiana. Com raiva, com apetite, com raça. Essas três palavras não fazem mais parte do vocabulário de Firmino, infelizmente.


Jota é realidade, e vem para ficar!


E nem com toda a boa vontade do mundo, como fã número zero de Roberto Firmino, consigo tirar o garoto português do time agora. Quem me conhece sabe que está sendo difícil escrever esse texto. Disse outro dia que quero meu amado time ganhando e que o símbolo no peito é mais importante que o nome nas costas... Por isso tenho de dar o braço a torcer, a mão a palmatória:


Perdeu, Firmino!


Nós ganhamos. #YNWA


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