Buscar
  • Marco Antônio Rigotti

Roberto Firmino: a peça mais importante do ataque do Liverpool


Roberto Firmino marcou o gol do título do Liverpool no Mundial (Foto: liverpoolfc.com)

Atual campeão do mundo, o Liverpool gradativamente voltou ao centro das atenções do futebol mundial após algumas – várias – temporadas. Sua formação inicial, suas táticas e sua postura em campo são dissecadas diariamente por programas esportivos desde o Japão até o Brasil.


Os laterais avançam bastante, o meio campo é mais combativo que criativo e o ataque é rápido e letal pelas pontas. Mas a análise vai além disso. Infelizmente, nós, meros mortais, não nascemos com o dom de enxergar futebol como Jurgen Norbert Klopp.


Nossa ordinária capacidade de entender o jogo nos permite apenas fazer suposições superficiais desse trabalho de já quase meia década que o alemão desenvolve em Melwood. A minha, no caso, é simples: sem Roberto Firmino, as coisas até poderiam funcionar, mas não tão brilhantemente.

Roberto Firmino Barbosa de Oliveira é um camaleão da bola, elo de ligação entre o meio campo físico e combativo com um ataque veloz e criativo. Conforme a profundidade do ataque e a posição no gramado, ele se adapta entre funções de um meia de criação e de um finalizador clássico de grande área. E faz as duas de maneira majestosa.


A presença de Roberto Firmino no centro da área adversária faz com que os zagueiros não se afastem muito da área, gerando a possibilidade de os extremos partirem para o um contra um com o lateral. Caso a linha de defesa esteja muito alta, ele incorpora a posição de meio campo, possibilitando ao Liverpool ter superioridade numérica numa área apertada do jogo. Com o alagoano em campo, o Liverpool ataca com 12 jogadores.


Firmino é a razão para o Liverpool não ter sentido a saída de Philippe Coutinho, anos atrás. Foi memorável a partida que o camisa 9 teve logo após a venda do seu compatriota, guiando os Reds a uma emocionante vitória por 4-3 em Anfield, frente aos, até então, invictos Citizens.


O atacante quase que instantaneamente se apossou das funções criativas da equipe, por muitas vezes jogando não como falso nove, mas como camisa 10. Sua capacidade de adaptação possibilita que Salah se desloque para uma faixa mais central do campo, dando espaço a Origi ou Shaqiri pelos lados.

O atacante brasileiro faz uma função diferente de qualquer atacante (Foto: liverpoolfc.com)

Nas últimas três temporadas de Champions League ninguém possui mais contribuições (gols e assistências) que Roberto Firmino. Números de um jogador que não cobra pênaltis, faltas ou escanteios. Números naturais, gerados pura e simplesmente pela genialidade de um craque de bola encobertado pelos gols e números surpreendentes de seus companheiros de ataque, alcançados pelos dribles e passes do brasileiro.


Na parte defensiva, ele também é o designado para cobrir a faixa mediana do campo e fazer a primeira pressão. Salah e Mané não podem acompanhar os laterais até a linha de fundo, pois precisam estar abertos perto à linha do meio de campo para forçar o contra-ataque. Firmino então complementa o meio campo para que um dos volantes possa dar cobertura na lateral.


Nós nos moldamos a imaginar os “carregadores de piano” do futebol como os volantes pouco desenvoltos, que jogavam em função de destruir. Roberto Firmino veio para desconstruir este mito. É um pianista que carrega seu próprio instrumento. E faz tudo brilhantemente.