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  • Mauricio Cruz

O adeus ao Wij

De fato, Gini Wijnaldum está nos deixando. Ao que parece, Barcelona é seu destino, numa transferência gratuita (afinal, o time da Catalunha está vendendo o almoço para jantar, sabemos disso). Antes de ser crítico ferrenho ao nosso querido Reginaldo, já fui fã dele em algum momento de sua passagem pelo Liverpool. E não só pela mágica jornada do nosso camisa 5 nos 45 minutos jogados contra o Barcelona, no Milagre de Anfield. Claro, aquilo foi histórico e será lembrado pro resto da vida de todos os envolvidos, seja Wij, seja o Liverpool, o Barça e a torcida, apaixonada. Mas tenho uma memória afetiva forte de outros lances do meia holandês com nossa camisa vermelha.


De cara, lembro de um gol dele decisivo contra o Middlesbrough, em 2017. Última rodada da Premier 16/17, aquele jogo era crucial para a nossa volta a Champions League. E foi Wijnaldum quem abriu o placar no fim de um nervoso primeiro tempo, ao tabelar com Firmino e estufar com raiva as redes do Boro.


Outro que me lembro com carinho é o gol dele contra o Manchester City de cabeça após cruzamento de Lallana, também na Premier 16/17. Mais uma vitória primordial para nossas pretensões da época, que era voltar a UCL depois de anos longe. Aliás, válido dizer que Wijnaldinho Gaúcho sempre foi carrasco nos clássicos, metendo gol no Arsenal (ele faz o terceiro num 3x1 na mesma temporada), Tottenham (no jogo em que Firmino toma a dedada no olho), Chelsea... Como não se lembrar dele celebrando sozinho no meio de campo, com sangue fervendo correndo nas veias, contra o Tottenham, após uma assistência pro Mané?

Força, Gini!!       Fonte: Torcedores.com
Força, Gini!! Fonte: Torcedores.com

Depois disso tudo, Gini foi picado pelo bichinho da burocracia. Só corria (muito) e marcava (muito), mas os gols rarearam, as chegadas a área adversária também sumiram. Acho que o canto do cisne foi contra o Atlético de Madrid, na Champions do ano passado, no último jogo com torcida no Anfield. Apesar do gol de Wij de cabeça, como um centroavante e batendo o grande Oblak, perdemos e o gosto amargo foi o que ficou na boca. Depois disso, aquele jogador moderno, “box-to-box” ficou num passado distante. Brinco que Wijnaldum, nos derradeiros últimos dias com nosso manto sagrado, não podia jogar Rugby (onde só se passa a bola para frente, nunca para o lado ou para trás). O holandês não ousava mais, não tentava um passe mais invocado, uma enfiada de bola maneira. Não se arriscava. Seriam instruções de Klopp? Seria uma nova função no time, em meio a tantos desfalques? Pode ser. Mas sabemos que Wijnaldum era muito mais que isso. É muito mais que passes insossos de lado.


Que recupere a fome e a sede. Que volte a ser aquele jogador que faz de tudo um pouco. Decide, inclusive.


Obrigado, Gini. Que você seja feliz em sua nova jornada. Vi as palavras doces de Klopp em relação a você. Que além de ser um grande dentro do campo, fora dele também é gigante.


Valeu, vice-capitão!


YNWA