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  • Mauricio Cruz

Mané é Mané

O sambista Bezerra da Silva, ícone do samba brasileiro, já dizia que “Malandro é malandro e mané é mané”. O problema é que o músico não sabia que em 2021 Mané não seria mais Mané.


Por isso, quando falamos do nosso trio de ataque, vejo bastante torcedor com um pé atrás ao cravar Sadio de titular. Porque Mané não é mais o mesmo. E faz tempo.


O senegalês foi, por muito tempo, nosso atacante mais regular. Mais do que Salah. Firmino nem conta. Mané era o mais decisivo, o que marcava sempre em momentos difíceis e nos tirava de enrascadas. Com a direitinha calibrada, cansou de fazer gols de R2 tirando do goleiro. Já alcançou nossos rankings de maiores goleadores.

O camisa 10 evoluiu demais desde que chegou a Melwood, hoje Kirkby. Compramos um ponta muito veloz, ciscador e forte fisicamente. Não era um exímio finalizador, e corria mais do que pensava. Sadio passou de um ponta descerebrado para um atacante completo, que bate bem na bola, dá passes, dribla em progressão, ajuda na marcação e, o mais importante, é decisivo. Sem olhar no Google, lembro de algumas jornadas marcantes do meu Manézinho querido: Leicester no Anfield, jogo dificílimo, onde vencemos por 2x1. Ele marca o primeiro em bola pornográfica de Milner e sofre o pênalti no segundo, convertido pelo próprio cabeça-de-tv-de-29. Outro? Tottenham, também no Anfield, a gente numa draga de dar dó, perdendo para todo mundo, e Mané brocou 2 contra os Spurs. E fora de casa? O que dizer do gol contra o Villa naquela virada espetacular temporada passada? Robertson empatou aquela partida e Mané casquetou de cabeça um escanteio já nos acréscimos para nos dar a vitória suada. Lembro do gol que nos deu esperança na final da UCL contra o Madrid. Do gol contra o United no Anfield depois de bolão de Fabinho. Do golaço já histórico contra o Bayern em Munique, onde o grande Neuer ficou sem pai e sem mãe. Naquele dia, meu Manézinho meteu mais um e eliminou o bicho papão alemão da UCL em que batemos campeão. Aliás, Mané foi o responsável pela última derrota dos bávaros numa Champions.

Mané humilha Neuer...  Fonte: Rousing the Kop
Mané humilha Neuer... Fonte: Rousing the Kop

O time desmanchou essa temporada. Sabemos disso. Fisicamente e, em consequência, psicologicamente. E Mané mergulhou nas profundezas com seus companheiros. Virou um jogador comum, que erra muito mais do que acerta. Perde gols, fura, erra passes bobos. Por isso perdeu espaço na torcida, que como todos sabemos é de quarta a domingo. A fase ruim do time numa temporada pra lá de atípica potencializa certos jogadores a uma queda de produção. Mané é um deles. Do mesmo jeito que o time voando, faz de Sadio um contender a bola de ouro. São dois opostos grandes, mas acontece. Com Jota querendo um lugar no time titular, de qualquer jeito, a má fase de Mané e a sonolência de Firmino abrem espaço para o português que, de fato, está fedendo a gol. Isso para não falar de Shaqiri, em grande fase, depois de meses no estaleiro, fora de combate. Talvez um novo trio de ataque possa surgir, com Shaq, J e Salah? Vai saber.


O que sei é que tenho fé em Mané. É uma má fase, acontece com todo mundo.


E por mais que a música de Bezerra da Silva deprecie nosso Manézinho, eu espero de coração e com muita torcida que Mané volte a ser Mané. Para tirar essa desconfiança dos torcedores vermelhos. E para deixar Neuer com medo.


Para deixar, na verdade, todos nossos adversários com medo.


#YNWA