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  • Anderson Zotto

Iron Mersey: O futebol heavy metal do Liverpool.


Foto: liverpoolfc.com

Quem é fã de heavy metal, mais precisamente do Iron Maiden, sabe. O ritmo alucinante das músicas, shows e letras não nos deixam relaxar em momento algum.

Mas por que o Iron Maiden? Por que esta banda em específico ao falar do Liverpool e não o famoso quarteto John, Paul, Ringo e George? Por ser exatamente como a banda de repertório mais agressivo que os Reds atuam dentro de campo.

O Liverpool, assim como a trupe liderada por Bruce Dickinson, separa sua atuação em campo como atos de uma peça teatral shakesperiana. O Iron Maiden ensaia a sequência de músicas sobre guerra, religião e inferno, nesta ordem, para apresentar para seus fãs uma peça teatral inesquecível. O Liverpool atua com seus próprios atos, que eu gostaria de pessoalmente intitular: pressão, administração e consagração.

A pressão inicia o espetáculo liderado pelos Klopp boys. Jogando o adversário contra a parede antes mesmo de acordar, finalizações com um ou dois minutos de jogo, antes de perceber a magnitude do espetáculo, o adversário já está acuado e sem espaço.

Geralmente no primeiro ato sai o gol, fazendo a plateia vibrar com o resultado deste. O ato é subsequente a depender de quanto o Maestro Klopp julga necessário para a partida, podemos continuar o primeiro ato até o segundo ou terceiro gol. Por vezes, um já basta. Me vem na mente uma entrevista que ele deu quando o Liverpool enfrentou o Rubin Kazan pela Uefa Europa League, no segundo jogo de Klopp treinando o Liverpool: “Não ganharemos todos os jogos por oito a zero”, ao explicar aos jornalistas para terem paciência pelos 2 empates seguidos logo na chegada.

O ato da administração passa, na sequência, apenas por segurar a bola, com bem menos pressão, mas nunca abdicando de atacar, trocado passes, avançando em lançamentos para Salah e Mané para aplicarem suas amplas velocidades pelas pontas rumo a desabilitar uma zaga que avança para atacar a bola nos pés dos Reds.


Neste ato os gols reduzem de frequência, mas ainda ocorrem, são gols apenas para erguer a torcida. Não existe time que tome mais gols neste ato que o Everton. Passa pela redução e amenização do jogo. Tranquilizando e fazendo um pouco da euforia ofensiva baixar, mas a euforia do resultado é constante.


O ato de administração chega ao fim perto dos 35 minutos do segundo tempo, onde começa a consagração.

O Liverpool abdica da bola e deixa o adversário desfrutar da posse, trocando a pressão pela espera, o estacionamento defensivo. O encaixe do contra-ataque, a preservação física para a próxima partida, acostumando o torcedor com a vitória dentro do próprio jogo, testando a defesa, que pouco é agredida durante os outros dois atos, provando que o time está completo. Vez ou outra, agredimos o adversário com o golpe derradeiro do espetáculo, um gol no fim do jogo que bate o prego do caixão. Fim de jogo, Reds vencem, de novo. Este espetáculo heavy metal de três atos conduzido por Bruce Klopp (Ou seria Jurgen Dickinson?) é o resultado desta maravilha a ser desfrutada: o melhor Liverpool da história, ao menos em técnica. 20 jogos, 19 vitórias na Premier League.


O heavy metal football chegou para ficar.