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  • Nickolas Lyra

Entenda o Gengenpressing, o estilo de jogo de Jurgen Klopp

Atualizado: 27 de Jan de 2020


A intensidade durante todos os 90 minutos de jogo é característica de Klopp (Foto: liverpoolfc.com)

O Gengenpressing se tornou um termo popularizado para caracterizar a forma de Jürgen Klopp conduzir suas equipes. Foi no Borussia Dortmund que o estilo de jogo deu as caras pela primeira vez, se intensificando no Liverpool. O termo é um sinônimo em alemão de "Counterpressing", em bom português "pressão sobre o contra-ataque adversário".


Agora que a gente já sabe de onde vem o nome, vamos começar a esmiuçar no que se baseia o estilo feroz de Klopp na equipe vermelha.


Primeiro, temos que entender que nem todo jogador consegue seguir esse estilo de jogo. Para isso, é necessário jogadores rápidos, com físicos invejáveis e cooperação, individualismo não cola no Gengenpressing.


O tal perde e pressiona começa sempre com um balanço defensivo, os jogadores atrás da linha da bola são responsáveis por fechar os espaços dificultando a visão do adversário e, consequentemente, recuperando a bola. Jogadores com recursos como Kevin De Bruyne sofrem muito com esse sufocamento imposto pelo time do Liverpool, o Belga, que é especialista em ser garçom, sempre tem dificuldades em encontrar seus companheiros livres quando é muito pressionado.

Klopp sempre tenta tirar 100% dos seus jogadores nas partidas (Foto: liverpoolfc.com)

Então, basta sair correndo pra cima de quem está com a bola e tá tudo certo? Não! Há toda uma estratégia por trás disso. Ao mesmo tempo que três ou mais jogadores estão partindo pra cima de quem está com a bola, os outros jogadores se preocupam em marcar as opções de passe, ou seja, obrigam o recuo ou o erro.


Nesse momento entra a importância dos nossos laterais, Trent Alexander-Arnold e Andrew Robertson, ambos com físico invejável, além de baterem na bola como poucos, tanto que são, disparado, a dupla de laterais com mais assistências entre as 5 ligas europeias. Eles são o termômetro do Gengenpressing.


Quando rouba a bola no lado direito, Arnold sempre busca rapidamente a velocidade de Salah no corredor ou vira o jogo com precisão para Sadio Mané impor sua velocidade. Já Robertson, por ser mais rápido e mais forte, tem o recurso de arrancar e abrir os espaços também no corredor para o Mané, ou no meio campo. Nesse ponto entra a inteligência de Roberto Firmino, que sempre volta ao mesmo campo para recompor e receber a bola para trabalhar aos seus companheiros de ataque.


Vale lembrar que esse estilo é extremamente cansativo então se os pulmões não estiverem em dia, esquece!


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As vezes podemos nos questionar da falta de um meia criativo, que consiga enfiar as bolas no ataque, e esquecemos da forma que jogamos. Segundo Klopp, o meio campo é pra marcar e fechar os espaços, a criação fica por conta do time todo, não existe um armador, mas sim onze! Ele dá preferência àqueles que sabem marcar e chegar ao ataque e é nesse ponto que se faz necessário o capitão Jordan Henderson e o meia Gini Wijnaldum, que fecham os espaços, sempre muito bem ancorados por Fabinho, e se lançam ao ataque pra mexer com a marcação adversária.


Já que citei o Fabinho, ele é responsável pelos cartões amarelos do time em faltas táticas, se o Gengenpressing der errado e o adversário tiver espaço, as faltas táticas ficam por conta dele, que é programado pra receber os cartões amarelos em nome do time.


Contra times mais fechados, o estilo de Klopp é menos eficaz, os espaços não surgem e o time acaba sofrendo. Mas pela qualidade, encontra uma saída. Agora, com times que gostam de sair pro jogo como o Manchester City de Pep Guardiola, é um prato cheio para o alemão que é o único treinador no mundo com saldo positivo em cima do careca.

Ao todo, são oito vitórias de Klopp pra cima de Guardiola (Foto: liverpoolfc.com)

Mas e a zaga e o goleiro? Como eu ia me esquecendo!? ,


Claro, a zaga e o goleiro têm papéis fundamentais. Ou você achou que Van Dijk era só um "monstro indibrável"? Virgil foi contratado pensando claramente no Gengenpressing. É um jogador que tem o recurso do lançamento e força física pra adiantar a marcação e ganhar a bola no meio campo sem a chance de perder e deixar um buraco na defesa, além de ter uma visão de jogo acima da média para um zagueiro.


Já o camaronês Joel Matip não se mostra preciso nos passes longos mas é habilidoso o suficiente pra arrancar e ajudar os companheiros no meio campo. Matip em velocidade tem a capacidade de driblar os marcadores e achar alguém livre para voltar ao seu posto, e caso a turma perca a bola, ele é mais um próximo do balão pra recuperar a posse.


Geralmente se usa o famoso REC 5, que é a recuperação em até 5 segundos. Logo se você estiver vendo um jogo do Liverpool, assim que ele perder a bola repare nos 5 primeiros segundos e veja a pressão homérica que o time altamente calibrado de Jürgen Klopp impõe.


Pode ser cansativo, pode ser exaustivo, e muitas das vezes até sem eficácia. Mas é muito mais bonito e empolgante do que ficar tocando bola de um lado pro outro. Klopp merece uma menção nas grandes prateleiras dos grandes treinadores. Trouxe uma maneira de jogar esquecida desde o carrossel holandês de Cruyff, onde se ataca em bloco e se defende em bloco, e adaptado ao futebol moderno de hoje, o Liverpool se torna o time da moda e até o mais disputado nós videogames da vida.


Para o alemão mais doido da terra, o meu MUITÍSSIMO OBRIGADO.