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  • Mauricio Cruz

Barulho mágico

Nosso Liverpool parou de vez. Já estava se arrastando, colocou a cabeça para fora d´água com duas vitórias longe de casa, contra Tottenham e West Ham, coincidentemente as duas em Londres, mas voltou para casa e apanhou outra vez. Já havia perdido para o Burnley, naquela loooonga invencibilidade dentro de casa. Não contente, perdeu para o Brighton e agora tomou um sacode do rival Manchester City.


Se recuarmos um pouquinho mais no tempo, vamos ver que antes da quebra do tabu pelo surpreendente Burnley, havíamos empatado em casa com o United num jogo morno e antes ainda empatado com um West Brom cozido. A última vitória em casa foi aquela conseguida a fórceps, contra os Spurs, quando a estrela de Bobby Firmino contra os londrinos falou mais alto e ele marcou de cabeça no último minuto.


Certo, em casa tá osso ganhar. Culpa dos times que vem fechadinhos, atrás da linha da bola o tempo todo. Além de nossos meias estarem/serem sem criatividade, estamos sem zagueiros, nossos volantes titulares estão fazendo a defesa por isso não temos como pressionar a saída de bola do adversário como deveria porque Thiago não consegue fazer esse papel (que Fab e Hendo fazem brilhantemente) e a gente bate na barreira imposta pelo inimigo os 90 minutos de jogo. Pronto, taí a explicação tática.


Mas acho que a explicação mística me encanta mais.


O Liverpool sente falta do torcedor. Mais do que qualquer outro time no mundo.


Enchemos a boca para dizer que somos o torcedor mais apaixonado do Planeta Bola. Porque diabos então não vemos o impacto que nossa falta no estádio faz? É gigantesca a diferença de vibe, de atmosfera, de clima, com um campo cheio e outro vazio em tempos de pandemia. Dentro de casa, o Liverpool é movido a barulho. Empurrado pelo grito do inglês vermelho. Pelo cântico de “You´ll Never Walk Alone”. É o clube de futebol com a ligação mais íntima arquibancada x campo já vista. Muito por causa das incontáveis tragédias de nosso passado, são laços de sangue que unem torcida e jogadores. Não a toa, um de nossos últimos kits traziam a célebre frase “There´s no noise like the Anfield noise”. Até nossos visitantes sempre temeram as noites de Anfield, em entrevistas coletivas pré jogos, em um passado não tão distante.

Não existe barulho maior que o de Anfield Fonte: Dailymail

Não se engane, foi a massa vermelha quem virou contra o Barça. Origi fez dois gols, eu sei. Mas estava sendo empurrado por essa força invisível. A mesma força milagrosa ergueu Lovren contra o BVB naquela Europa League. Foi a torcida quem assoprou a bola de Salah, na gaveta, na semi da UCL 17/18 contra a Roma, naquela noite excepcional. Foi o torcedor red quem suspirou para que a bola caísse na tampa de Origi depois de pulular duas vezes no travessão contra o Everton, aos 50 do segundo tempo naquele jogo há duas temporadas atrás. Também não é coincidência que, no último jogo que ganhamos em casa, o referido duelo contra o Tottenham decidido por Firma, haviam 2 mil loucos na The Kop.


Anfield é mágico. Especial. Sagrado.


Mas ele também sente falta de barulho. Tanto quanto os 11 caras de vermelho devem sentir.


#YNWA #VemVacina #VemTorcida