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  • Mauricio Cruz

A maldição

Seu eu pudesse, queria não gostar tanto de futebol.


Isso é uma maldição. Que meu pai me deu quando eu ainda era pequeno aqui em São Paulo e acompanhava ele pelos campos de várzea. Hoje, gosto mais do esporte bretão do que meu velho.


Sou um dos administradores da melhor página do Liverpool do Brasil. Temos mais de 30 mil inscritos, só no Face. Alcançamos níveis não imaginados, no Twitter, Instagram, um site próprio, Podcasts. Nos orgulhamos disso. O amor incondicional pela bola me colocou nessa empreitada. Do qual sou muito grato por participar.

A paixão pelo futebol começou torcendo por times brasileiros, claro. Sou são-paulino desde o longínquo ano de 1990. Perdíamos a final do brasileiro para o Corinthians, por 1x0. Havia acabado de perder meu irmão mais velho num acidente estúpido. Ele era tricolor fanático. Até como uma homenagem, passei a torcer pro time do Morumbi. Em 2005, no confronto histórico pelo Mundial de clubes, o São Paulo bateu o Liverpool por 1x0. De novo, o perdedor me encantou e passei a torcer pro time da Terra dos Beatles.


O tempo passou e meu amor pelos Reds só cresceu. A história, os ídolos, as tragédias, Anfield. Hoje sou fanático pelo Liverpool. E sou simpatizante do São Paulo FC.


Dias atrás, meus dois times do coração lideravam suas respectivas ligas. Eu estava radiante. Ninguém me parava. Essa semana, enfim, meu mundo caiu, violentamente.

Meus times do coração. Decepções Fonte: twitter

O São Paulo foi atropelado no Morumbi. Tomou 5. Perdeu a liderança para o Internacional de Porto Alegre. Adorador de futebol que sou, sabia que o São Paulo na liderança do campeonato brasileiro é a tartaruga no topo do poste. Ninguém sabe como chegou lá, mas sabe que vai cair, cedo ou tarde. O time é apenas esforçado. E força não ganha por muito tempo.


Já o Liverpool me orgulhava. Dia após dia. O melhor goleiro, melhores laterais, melhor zagueiro, melhor volante e melhor trio de ataque do mundo. Não a toa, fomos campeões do mundo, temporada passada. Por isso, quando o time parou de jogar, fiquei com a pulga atrás da orelha. A máquina travou. Virgil Van Dijk, melhor defensor do planeta, se machucou feio. Um ano parado. O melhor lateral do mundo, Trent Alexander-Arnold, passou a errar tudo que fazia. De um cruzamento invocado, marca registrada do garoto inglês, a um passe de 3 metros para o companheiro. E o trio de ataque não faz mais gols. A fonte secou. Até a amizade entre eles, tão latente e detectável, parece ter esfriado. E quinta-feira, anteontem, perdemos nossa invencibilidade no Anfield que já durava 4 anos, quase.


Isso foi um soco na cara. Desmoronei ao ver o cara do Bunrley batendo o pênalti e fazendo o gol, no finzinho do jogo. Podíamos estar jogando até agora, que nem empatar a gente conseguiria. O time se desencontrou. Inexplicavelmente.


Não vou falar de tática, aqui. Esse post é para falar de sentimentos.


E preciso dar uma pausa no futebol. Meu coração já está bastante dolorido, não aguenta mais decepção. Lembrem-se, sou PHD em sofrer por futebol. Meu Liverpool ficou 30 anos sem ganhar porra nenhuma. E o SP, bem, nem precisa falar... Mas essa semana foi mais do que podia suportar.


Como desgraça pouca é bobagem, temos o Manchester United no domingo pela FA cup, no Old Trafford. Uma esperada paulada na cabeça, sendo eliminado, só vai nos jogar para o fundo do poço. De uma vez. Eu mentiria se eu usasse o meme “nem dói mais”.


Porque dói.


Semana passada eu escrevi um post otimista, “levanta, sacode a poeira...”


Hoje, só quero deitar em posição fetal e chorar.


Até essa raiva do futebol passar. Deve durar apenas algumas horas. Já que essa maldição é também o que alimenta a vida de milhões de torcedores do Mundo. Eu no meio deles.


Vamos, São Paulo! YNWA, Liverpool!


#YNWA