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  • Mauricio Cruz

A chama de esperança pelo retorno do Liverpool a campo


TAA comemora gol contra o Chelsea / FOTO: Goal.com
TAA comemora gol contra o Chelsea (Foto: Goal.com)

A pandemia está mexendo com a cabeça de todo mundo. O isolamento social é implacável, e atinge a estabilidade emocional de muita gente. Estou entre eles.


O futebol sempre foi uma das minhas válvulas de escape. Um dos meus despressurizadores preferidos. E esse tempo sombrio, sem bola rolando, me fez muito mal. Ficar meses sem ver meu Liverpool jogando o futebol total, o Rock´n Roll de Jurgen Klopp, me destruiu mental e psicologicamente. A ponto de eu não me interessar muito mais.


Vejam, não posso (e nem quero) julgar ninguém. Mas é raro ver alguém que goste tanto ou mais de futebol do que eu. E mesmo assim, sobre os efeitos terríveis do enclausuramento, não parei em frente a TV para ver nenhum jogo dos campeonatos que já retornaram. Nem Bundesliga, nem a Liga Sagres e, agora, nem a La Liga. Alguma coisa naqueles campos vazios, sem alma, sem paixão, me dava uma impressão ruim. Quase um velório.


Desesperado, pensei comigo: “teria eu perdido o tesão no esporte mais amado do mundo?”. Via meus amigos comentando sobre os jogos da Bundesliga entre times nem tão conhecidos. Um grande amigo todo empolgado para ver seu Valencia na La Liga jogar. A imprensa dando o noticiário sobre a volta do Calcio, quando CR7 perdeu até pênalti contra o Milan pela Copa da Itália. CR7 falhando? Charles, o mundo não é mais o mesmo.

Será que não conseguirei dar vazão a minha paixão vermelha no próximo fim de semana? Será que nem meu Liverpool vai me tirar desse estado letárgico que vivo desde a suspensão do futebol europeu? Será que não conseguirei acompanhar nem o rival City, para torcer contra, antes de nossa reestreia, no retorno definitivo da Premier League? Não sei.


Não sabia.


Sábado a noite, mais um deles encaixotado dentro do meu apartamento, zapeio o controle remoto e encontro um Chelsea x Liverpool, reprisando. Falta na entrada da área. Salah rola de calcanhar para tirar da barreira, e Trent Alexander Arnold estufa a rede de Kepa com gosto. Gol. Golaço! Inconscientemente, dou um soco no ar! Havia algo ali. Uma chama, se reacendendo. Tentei ver um pouco do Barcelona, mas fiquei com medo de jogar um balde de água fria na pequena fogueira que eu tinha acabado de por fogo.


Respeito tudo e todos. Mas vou me guardar para ver meu Liverpool e retomar o gosto por bola, que sempre foi mega intenso. Tenho que me readequar ao futebol pós pandemia (a velha e boa Revista Placar fala um pouco sobre isso em edição especial). Sem torcida, sem tanta emoção. Mas com a possibilidade de título ali, na esquina. Título inédito, depois de longos e dolorosos 30 anos de espera.


Estou aqui, Liverpool. Bem vindo de volta, futebol!


Eu não me esqueci de vocês. #YNWA